terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Diálogos do estranhamento - parte zero



Sonhei com uma guitarra distorcida e um beijo como daqueles da adolescência, com minhas pernas inexistentes e suas mãos na minha cintura com a pressão mais perfeita do universo. A gente ficaria alguns segundos curtindo nossas bocas e olhos milimetricamente distantes, sua respiração familiar, minhas mãos puxando seus cabelos com força e finalmente a gente grudaria como num susto, uma rajada de vento, como se aquele fosse o último beijo de todos os tempos.

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Foi assim. Te encontrei esta noite em sonho. Será que isso é possível? Acordei com saudade daquilo que nunca tive. É uma pena que eu não acredite mais em amores platônicos.

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Acho que nasci na época errada. Me encantei com um livro antigo escrito em francês. Era um manual de alguma máquina, destas mecânicas de cozinha, eu acho. Não entendi o que era aquela porra, mas o manual era lindo, cheio de desenhos impossíveis de decifrar e palavras em francês. Papel amarelado, letras alongadas, retratos de um tempo que não existe. Só achei bonito, mais nada.

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Ah, comprei hoje este livro, Memórias da Sauna Finlandesa, do meu amigo Marcelo Mirisola:



Foda, o Mirisola é foda, um dos meus escritores preferidos, ele sabe. Ainda não chegou o livro, comprei pelo site da Editora 34. Frete grátis. Vou tentar não devorar, como tenho feito com os pobres livrinhos. Lerei como quem desgusta um bom vinho, com calma e parcimônia.

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Putz, em 2010 é comemorado o bicentenário do Frédéric Chopin. Se não conhece, ouça a parada que coloquei ali embaixo: é o prelúdio em mi menor (opus 28 número 4). É lindo.

É, eu definitivamente nasci na época errada.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

525.600 minutos

Acho que tô até agora me recuperando da festinha de ano-novo. Foi incrível virar o ano com pessoas tão queridas. Abusei um pouco, agora quero só trabalhar muito e descansar. Tem coisa boa vindo aí. Quero também pensar menos, se é que isso é possível. Acabar com as noites de sono picado e vertigem. Sonhei muito com meu pai esses dias e com uma música que não sai da minha cabeça. Será que eu estou tipos psicografando uma melodia ou algo assim? Sei não, acho que é só saudade mesmo.

Paulo de Tharso dizia algo poético sobre o oboé enquanto a roda ao lado dissertava - abre aspas - sobre as "propriedades anatômicas de um espeto" - fecha aspas - e mais adiante Helena Hutz previa o futuro enquanto Diego Basanelli passeava orgulhoso com seu avental do Biro's Grill. Quase tudo acontece numa noite como esta.

Algumas fotenhas felizes das primeiras horas de 2010.













segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

FESTA!



Ótema pedida pra quem for ficar em Sampa. Estou ajudando os amigos a organizar a parada, vai ser o maior festão! Bora lá?

Pra 2010 eu quero...

Essa poesia no olhar.
Cheiro de café pela manhã.
Calma.
Resiliência.

Algum pôr-do-sol que nem este

Uma criança que cresce e sorri.
A música dos meus amigos.
Os meus amigos.
As mesmas piadas.

A gente em paz.
Um amor que não doa.
O trabalho que for, mas que dê frutos pro mundo.

Literatura.
Teatro.
Cinema.
Notas musicais.

Algo mais?


*(foto de Caetano Pessina)

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Aqui

Quando foi que essa intensidade se transformou em dor? Leio os blogs dos amigos e suspiro. Não tem nada a ver com a melancolia de final de ano. Nem com a violência das últimas semanas, nem com a vida, nem com a morte. Tá todo mundo vivo e bem. Escrevendo, fazendo som, jogando sinuca, bebendo jack, engravidando, trepando, melhorando, brigando no bar, fazendo as mesmas piadas, chorando e rindo. Você já viu o novo do Tarantino? É bom pra caralho.

Alguma coisa faz a gente continuar e acreditar nisso tudo. Alguma coisa me faz seguir, às vezes leve, às vezes triste, às vezes puta da vida, às vezes tranquila, às vezes confusa. Mas aqui. E de verdade.

Falando nisso, semana de Natal, estarei com minha família em Santos a partir de amanhã e aproveitarei pra dormir um bocado, brincar com o filho e não pensar tanto. Porque as coisas também tem a importância que a gente dá pra elas, dizaê?

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

"Um som do Fito Paez que sai da PA, o tempo muda junto coa cor dos teus olhos, tua dança sexy maluca é uma fatalidade, beibe!, FATALIDADE. Eu jogo o gelo, que o garçom botou desprevenido na minha dose, no chão. Ele derrete em direção aos teus sapatos, o último cigarro tá guardado no meu bolso pra próxima dama que vai causar ciúmes no teu semblante louco. Tá ligada? E tu vai sentar na cadeira ao lado e vai jogar papo pra fora e dar em cima de todo mundo e vai cheirar no banheiro antes de levar tua bolsa embora e me arrastar pela mão. Dois bêbados asquerosos na calçada, desrespeitando quem desrespeita a madrugada, se atirando nas paredes, parando prum beijo nada sincronizado, deixando tudo cair dos bolsos. E a gente vai parar num beco escuro, e fumar um bagulho, dar uns amassos, a gente vai se encaixar no mesmo espaço e gozar quietinhos pra não acordar os vizinhos nem os gatos. Pra depois ficar ali escorado, braço em cima de braço, até tu olhar pro céu como quem conta estrelas e eu acender o isqueiro e encarar a chama e aumentar a chama e ficar brincando de passar o dedo Pronto garota, a mais divina tentativa de paz. Tá ligada? Aquilo queu falei. Os carros cruzam as poças, os mendigos cantam Raul Seixas, motocicletas ferozes empinam na possibilidade de uma avenida quase vazia, os táxis só os táxis pensam em dinheiro. Eu, você, a mais divina tentativa de paz".
(Bruno Bandido)

sábado, 19 de dezembro de 2009

Eu vou!

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Último Trago

Vídeo que fiz em alguma destas manhãs em frente ao Biro’s. É do Rô (Lingüinha) e Paulo de Tharso cantando “Último Trago” numa singela homenagem ao Marião. Com direito à dancinha da musa Helena Hutz ao fundo! Ficou massa!




Ah, por favor: ignorem minha voz de bebum cantando junto ao fundo, acho que me empolguei com o momento. Hehe.

Qualidade de vida

Hoje me peguei pensando que 2009 foi um ano ao qual eu meio que sobrevivi...não lancei livro, não fiz tanto teatro quanto gostaria, não criei um milhão de projetos. Trabalhei um bocado, me diverti um pouco e criei meu filho. Carreguei muitos pianos nas costas. As pessoas me perguntam o que ainda estou fazendo aqui nesta cidade com esta “qualidade de vida zero” sendo que minha família inteira está em Campinas. Final de ano é tempo de pensar em tudo isso e questionar as escolhas.

Então vamos lá: algo ainda me faz acreditar que o trabalho que eu realizo no dia-a-dia melhora a vida de crianças e que vale a pena lutar por alguma coisa nesse mundo ao invés de pensar nessa merda que todos chamam de “qualidade de vida”. Criar meu filho aqui é difícil sim, ele fica o dia inteiro na escola, mas procuro estar inteira e bem quando estou com ele e não há “qualidade de vida” que vai me proporcionar isso. Ele vai crescer com a consciência de que é preciso acreditar em alguma coisa além do próprio umbigo, lutar por aquilo que se acredita. Estou próxima dos amigos que amo e que escolhi para estarem ao meu lado, me identifico com a arte e a cultura daqui e realmente acredito que tudo isso possa fazer alguma diferença um dia. Tem algo muito a ver com uma visão própria que tenho da vida, que está muito longe de "acumular bens" ou ter qualquer tipo de "sucesso" aos olhos dos outros, ou mesmo ser "feliz" no sentido que os livros de auto-ajuda propagam por aí. Não sei bem explicar, mas é o que me move. E que é simples e verdadeiro.

Enfim, estar aqui ainda faz todo o sentido para mim. Pode ser que deixe de fazer e que eu me canse de tudo e volte pra Campinas e me apoie na família e tenha tempo livre. Mas por enquanto, eu acredito pra caralho nas escolhas que fiz. Então vamos lá: que venha um 2010 com tantos desafios e aprendizados quanto este 2009. Que para mim isso ainda é “qualidade de vida”.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Algumas coisas não mudam

Lembro deste poema que escrevi em Salvador, há dois anos. Tenho ainda muitas destas sensações no peito, por isso resolvi postá-lo novamente.





Indecifrável

Salvador-BA.
Sexta, 14 de dezembro de 2007.
Seis da tarde.
Tempo-espaço.
Dentro da imensa Bahia de todos os santos.
Uma prainha pequena. Pedras.
O sol cai lento e a luz é linda.
Tudo em que penso é metafísica.
Sempre.
Aquela onda existiria se não a tivesse visto?
Sim.
Aqui nada é metafísico.
Todas as coisas existem plenamente.
O mar é um ser vivo.
(quando pensei nisso, ele sorriu pra mim).
Entre o céu e o mar, um milhão de tons de azul.
Às vezes de verde.
Às vezes totalmente indecifráveis.
Se eu nascesse de novo, queria nascer mar.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Imperdível

A coluna do Mirisola desta semana, que fala sobre o Marião.

Leia aqui ó!
Tenho dormido 10 horas por noite e isso realmente é um fato inédito na minha vida. Acho que li uns três livros na última semana. O agito de final de ano transformou-se em calma pro meu olhar. Cansei de me cansar à toa. Repiquei todo o meu cabelo e me sinto diferente. Mulher tem dessas coisas. Terminei um argumento pro filme de um amigo, uma encomenda que estava parada no meu subconsciente. Vamos começar a roteirizar a parada hoje. Deixei um pouco de lado a poesia ansiosa que me consome. Escutei muito Mahler e Tchaikovsky nos últimos dias. Lembro dos meus sonhos e respiro melhor. Dei um tempo ao amor vadio. Canto aos males que espantei. Derreto meus pavores sutis e sigo.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Epílogo parte três e meio

Primeiro de fevereiro de dois mil e nove. Verão paulistano. Você e seu orgulho da sarjeta. Eu no meu palácio de imperfeições fugitivas. Não importa até onde a vida tinha nos levado até então. A gente se encontrou na frente dos parlapas, tava quente pra caralho aquela noite. A gente se beijou, casou ali mesmo, se amou com tanta fúria que o universo parecia até ter conspirado a favor. Nossa melancolia era parecida. Eu te dei uma garrafa de Jack de aniversário, você me deu os melhores livros. Você me deu o melhor que pôde. E você sabe o quanto eu amo os livros e você. A gente se deturpou de tantas formas. Viu o sol nascer tantas vezes. Nossos amigos cansaram de ouvir a gente falando um do outro. Minhas razões se transmutaram. Meus sapatos de salto ficaram no armário. E eu quis carregar seus filhos. Nossos amigos foram baleados, nossas verdades questionadas, nosso bar invadido, nossa rua ultrajada. Chutes e socos na madrugada. Um disparate. Não consigo encontrar uma saída, um desvão. Meu caminho são todas as ruas e vielas da sua alma. Meu conforto são todas as possibilidades do seu beijo. Para sair daqui eu preciso me deixar para trás. Abandonar a mim mesma num terreno baldio qualquer e seguir em frente. Pra sair daqui será necessário destruir o meu olhar, o meu vício, o meu remédio. Para sair daqui, eu canto a miséria de nós dois. E desfaleço.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Hoje!




Ah, é R$ 10 pra entrar e a renda será revertida para a recuperação do Mário!
Todos lá!

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Boas novas

Merça, meninas, risadas. Que bom que saí para espairecer. Valeu Sah, Lê, Bi e Paulinha, tava precisando disso. Já tô bem dos toque, viu girls? Agora é move on, porque eu sou totalmente responsável pelas linhas que traço, disso eu sei.



Tiramos fotos da coxinha do Filial pra levar pro Marião, sabemos que ele adora. Falando nisso, ele se recupera bem e já se comunica por olhares e gestos, os médicos devem desentubá-lo amanhã. Só coisa boa. Os amigos estão muito felizes. O cara é um rinoceronte mesmo.

Quinta-feira vai rolar um show no Aurora com os caras do Saco de Ratos, Fábrica de Animais, Velhas Virgens, poesia, stand-up e tudo mais. Tudo para arrecadar uma grana pra família do Mário e emanar boas energias! Vai ser lindo!