Sonhei com uma guitarra distorcida e um beijo como daqueles da adolescência, com minhas pernas inexistentes e suas mãos na minha cintura com a pressão mais perfeita do universo. A gente ficaria alguns segundos curtindo nossas bocas e olhos milimetricamente distantes, sua respiração familiar, minhas mãos puxando seus cabelos com força e finalmente a gente grudaria como num susto, uma rajada de vento, como se aquele fosse o último beijo de todos os tempos.
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Foi assim. Te encontrei esta noite em sonho. Será que isso é possível? Acordei com saudade daquilo que nunca tive. É uma pena que eu não acredite mais em amores platônicos.
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Acho que nasci na época errada. Me encantei com um livro antigo escrito em francês. Era um manual de alguma máquina, destas mecânicas de cozinha, eu acho. Não entendi o que era aquela porra, mas o manual era lindo, cheio de desenhos impossíveis de decifrar e palavras em francês. Papel amarelado, letras alongadas, retratos de um tempo que não existe. Só achei bonito, mais nada.
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Ah, comprei hoje este livro, Memórias da Sauna Finlandesa, do meu amigo Marcelo Mirisola:

Foda, o Mirisola é foda, um dos meus escritores preferidos, ele sabe. Ainda não chegou o livro, comprei pelo site da Editora 34. Frete grátis. Vou tentar não devorar, como tenho feito com os pobres livrinhos. Lerei como quem desgusta um bom vinho, com calma e parcimônia.
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Putz, em 2010 é comemorado o bicentenário do Frédéric Chopin. Se não conhece, ouça a parada que coloquei ali embaixo: é o prelúdio em mi menor (opus 28 número 4). É lindo.
É, eu definitivamente nasci na época errada.











